quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Brasil, o seu tempo acabou

Brasil, não tenho mais tempo. O meu tempo passa cada vez mais veloz entre os ponteiros de segundos. Meus impostos, taxas, tarifas, contribuições, óbulos, encargos, ônus estão rigorosamente em dia, bem como todas (TODAS) as minhas obrigações morais e cívicas para contigo.
Mame à vontade, Brasil. O sangue é teu.

Brasil, o meu tempo voa e não pode se dar ao luxo de contemplar o seu, lento, redundante, atolado, preguiçoso, corrupto, venal. Meu tempo é para o trabalho, para a saúde, para o amor, já que não tive tempo de pular fora antes. Se fosse antes, estaria longe, em outro lugar, sorvendo outros tempos. Mas você não me deu tempo, Brasil. Tive que ficar.

Brasil, nas ruas há sempre carnavais, micaretas, grevistas vagabundos sustentados por nós. Hoje haverá mais, no interior e nas capitais, mas não irei ver porque não quero. Não quero e não tenho tempo. Tenho muito trabalho a fazer, apesar de você, tenho muita história para contar, apesar de você, tenho muito mar para abraçar e beijar, apesar de você.


Brasil, divirta-se, mas não me convide. Você tentou, mas não roubou o meu tempo. Pelo menos ele, não. E não me chame para apartar briga de ratos. Não me presto a isso.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Pessimismo e otimismo

As redes socais, cada vez mais anti sociais, estão muito mal humoradas e pessimistas. Claro que os tempos estão instáveis, mas se todo mundo, em todos os tempos, fosse pessimista 24 horas por dia ninguém teria nascido. A começar por nós. O pessimismo crônico, assim como o mau humor, em geral são sintomas clássicos (eu diria óbvios) de depressão e ansiedade aguda que, de cara, levam diretamente a inapetência existencial.

Não é normal ser pessimista o tempo todo. Não é normal ser otimista o tempo todo. A leve e harmônica oscilação de humor rege a saúde do nosso sistema nervoso, ensina a boa medicina. Os negativistas, vulgo urubus, tem no pessimismo o início, o fim e o meio. O lema deles é o famigerado “nada será como antes” (cusp! saudosismo) e reclamar de tudo é a base. Reclamam do calor, do frio, da chuva, da falta de chuva, do trabalho, da falta de trabalho, do amor, do desamor, do céu, do inferno sem perceber sua palpável infelicidade. Sem que ninguém diga claramente “meu chapa, vá se tratar!”, porque ninguém está a fim de se aporrinhar. E recomendar um médico para um sujeito nesse estado pode parecer ofensa.

O otimismo comedido é um exercício, dizem os sábios. Viver com esperança (favor não confundir com a agoniante expectativa) é saudável. Enxergar a luz no fim do túnel como porta de saída (e não de entrada) é uma ginástica mental/emocional fundamental. Mesmo que ao nosso lado esteja um Hardy Har Har (personagem do desenho animado lá no alto) dizendo que a luz pode ser de um trem vindo ao contrário.

Aí ferrou.

domingo, 15 de outubro de 2017

Stanley Clarke, o homem que transforma contrabaixo em guitarra



Stanley Clarke é um monstro sagrado, o melhor baixista em atividade no planeta. Assisti duas vezes, primeira fila e saí desnorteado. Toca jazz tradicional com o chamado “baixo de pau” (baixo acústico), rock, música fusion, R&B e sua impressionante agilidade e precisão transformam o contrabaixo principal em guitarra solo.

Ouça nessas duas músicas. Ele toca o baixo agudo que sola e outros três que fazem médios, graves, base etc.  É inacreditável mas o instrumento que sola é um baixo Alembic modelo Stanley Clarke (é mole?) de quatro cordas. Com saudade, há uma semana ouço as duas, emendadas (no álbum são emendadas), direto:




Clarke nasceu em 1951 na Filadélfia. Aprendeu a tocar baixo por acidente no colégio, quando chegou atrasado no dia em que seriam distribuídos instrumentos musicais para o aprendizado dos alunos, e o único que sobrou foi o baixo acústico.

Em 1971, mudou-se para Nova York onde começou a trabalhar com muitos músicos famosos como Horace Silver, Art Blakey, Dexter Gordon, Gato Barbieri, Joe Henderson, Chick Corea, Pharoah Sanders, Gil Evans e Stan Getz.

Durante os anos 70, Clarke tocou na banda Return to Forever, liderada pelo pianista e tecladista Chick Corea. O Return tornou-se uma das mais importantes bandas de fusion jazz e seus vários álbuns aplaudidos de pé pelo público e crítica. Nessa época começou sua carreira solo, como fez o colega Jaco Pastorius. Os álbuns mais populares do baixista são Stanley Clarke (1974), Journey to Love (1975), e School Days (1976).

Ele formou o Animal Logic com o baterista Stewart Copeland,(mais tarde integrante do The Police), e a compositora e vocalista Deborah Holland. Outros projetos importantes com outros músicos: Jeff Beck, (1979) Ron Wood's New Barbarians, (1981, 1983, 1990) Clarke/Duke Project with George Duke, (1984) Miroslav Vitouš,[2] (1989) Animal Logic Stewart Copeland, (1993–94), um grupo Larry Carlton, Billy Cobham, Najee & Deron Johnson, (1995) The Rite of Strings with Jean-Luc Ponty and Al Di Meola and (1999) e Vertu’ com Lenny White and Richie Kotzen.

Mesmo em turnê com sua banda Clarke está sempre tocando nas turnês de seus colegas: em 2005, com Béla Fleck e Jean-Luc Ponty, ganhou o Jammy Award de "Turnê do Ano"; em 2006, pela primeira vez em quinze anos, Stanley e seu amigo George Duke saíram em turnês por mais de 40 cidades, alcançando o Top 20 com a música "Sweet Baby"; em 2007, fez vários shows nos EUA, Europa e América do Sul com Al DiMeola e Jean-Luc Ponty. Gravou a faixa "Hey Hey" no álbum Pipes of Peace (1983) de Paul McCartney.






sábado, 14 de outubro de 2017

"O Formidável", um grande filme, desnuda o genial Jean - Luc Godard em sua guinada de 1967

O diretor Michel Hazanavicius

Fui a Sessão de Gala do filme “O Formidável”, com a presença do diretor Michel Hazanavicius, no Reserva Cultural de Niterói que participa do Festival do Rio. Depois da sessão ele conversou com a plateia que super lotou a sala de exibição.

“O Formidável” é um filme brilhante, instigante, extremamente bem produzido (destaque para a direção de arte e fotografia) e dirigido. Para quem gosta de cinema é absolutamente imperdível. Ganhador do Oscar de melhor diretor por “O Artista”, em 2012, Hazanacicius mais uma vez fez um grande filme. É protagonizado por Louis Garrel e mostra um recorte da biografia do grande diretor Jean-Luc Godard em 1967, baseada no livro de sua ex-mulher e musa Anne Wiazemsky (vivida por Stacy Martin), que, por sinal, morreu no último dia 5, aos 70 anos.

“O Formidável” recria o período entre 1967 e 1970 no qual Godard lança seu tratado político mais feroz nas telas, o longa “A Chinesa”, e na sequência, junta esforços ao grupo militante Dziga Vertov. Sua meta é criar um cinema militante. Ao mesmo tempo, ele vive uma tórrida e neurótica paixão por uma atriz, Anne e no auge do romance, Godard se envolve nos protestos de maio de 1968 e tem sua obra questionada pela ala de esquerda mais combativa. Sua resposta é o radicalismo, em seus filmes e em sua vida. Numa entrevista ao site Omelete, o diretor diz que "a recriação dos protestos de 1968 é o que de mais documental eu filmei. Ali, o que nós temos é um documento da História".

Aqui, outros trechos da entrevista:

"Demorei a estabelecer conexões entre meus filmes, mas a história de Godard me fez notar que estou sempre correndo atrás de personagens desconectados, sem lugar estabelecido na lógica do mundo. A diferença é que O Artista falava de um deslocado sem grandes virtudes. Como seu cãozinho era fofo, torcíamos por ele. Com Godard é diferente: é um criador transgressor.

"Venho de uma geração que rachou opiniões em relação a Godard: parte tem respeito e reverência por ele, parte encara mal sua obra, por se opor à lógica da Nouvelle Vague, que ele representa. Meu cuidado no filme era não me deixar julgar seus atos. Ele pode parecer um babaca às vezes, mas isso todos nós podemos parecer. Mas não se pode negar que estamos diante de um homem que desafiou tabus".

"De uma certa forma, há uma dimensão heroica na atitude militante de Godard em seu opor, de maneira solitária, à máquina do cinema como indústria. Uso storyboard pra poder desenhar todas as cenas que pretendo rodar deixando pro set descoberta do que há de específico em cada ator. Neste filme, tinha um diferencial: levei pro cenário objetos com as cores mais usadas nos filmes de Godard, que são o amarelo, o azul e o vermelho pra trazer algo de godardiano à cena".






sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Pimenta no lombo dos outros é Fanta Uva

Quando chega outubro a inclemência acende o maçarico anunciando o apogeu da primavera que traz no bojo o bafo quente na nuca, cupins de lâmpada, tanajuras, o canto deprimente das cigarras, arrastões nas praias.

Para alegria do governo e seus comparsas (empresas de energia elétrica) é hora de bandeira vermelha na conta de luz, mais uma realização do governo Dilma. É nessa soleira que boa parte dos brasileiros em sua crônica bovinização contemplativa liga ventilador e ar condicionado para conseguir dormir, viver e morrer numa grana quando a conta de luz chegar. Estou escrevendo num ônibus com ar condicionado que cruza boa parte de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde o trânsito começa a se transformar na lenta lacraia do final do dia.

O motorista mantém a temperatura em 20 graus (que delicia) apesar de alguns passageiros (masoquistas) pedirem mais calor. “Não posso, são ordens da empresa” e como hoje acordei meio enviesado me meti na conversa e acrescentei “a temperatura está ótima; o senhor deveria ter escolhido um ônibus sem ar ou então trazer um casaco”. O cara olhou para mim, ia falar qualquer coisa, mas desistiu.

Lá fora de cada 10 carros que vejo, nove tem ar condicionado. Lembro do amigo Reginaldo que ano passado trocou um carro sem ar com zaralhadas de cavalos de potência por um 1.0 com ar. Ele me disse que “cansei de padecer, fingir que esse flagelo do calor é oba-oba, chuva suor e cerveja”.

Com o desmatamento generalizado a temperatura subiu ainda mais e tornou-se insuportável para muitos. Exceção para a indústria da cerveja, filtro solar, e de babaquices em geral. Lembro que quando fui fazer vestibular (que por si só já era uma merda), acordei as 6 e meia da manhã e encarei um calor demolidor para chegar ao local da prova, que não tinha ar condicionado. Acordar cedo já é um suplício, com calor vira humilhação e com vestibular é fim do mundo.

Leio que no Rio somente 30% da frota de ônibus tem ar condicionado. Como assim? Imagine ônibus sem calefação em Moscou, Londres, Paris, em pleno inverno? Morreria todo mundo. Aí vão dizer, “mas aqui não morre”. Não morre é o cacete. O calor traz dengue, zika, giárdia, febre maculosa, malária, conjuntivite, febre amarela, dengue, chikungunya, etc. Ou seja, morre gente pra cacete. Especialmente nos últimos anos, quando o país foi atirado no esgoto.

Essa transição chamada primavera (na verdade um verão travestido de floricultura) gera aporrinhações extras. Por exemplo, os comerciantes espertos ligam o ar condicionado no mínimo. Os modelos split indicam a temperatura desejada e não a temperatura ambiente.   

Chegamos num restaurante e o ar marca 23 graus, mas o calor é forte, suamos em bicas, reclamamos com o garçom que logo aponta para os 23 graus. Não chega a rolar bate boca, mas ele sabe que está errado e quando insistimos ele baixa a temperatura.

Já decepcionistas e atendentes de consultórios e escritórios, quase todas, sei lá porque são friorentas. Passam o dia sentadas ali, segundo elas “na ponta do iceberg” e quando chegamos está um forno. Pedimos para baixar a temperatura e elas, sempre de má vontade, resistem com o mesmo argumento: “poxa, mas está marcando 24 graus”. Fazer o que?

Pimenta no lombo dos outros é chica bom.


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Santa infância

                                                                           Nove anos                                                                           
                                               Com Catherine, praia de Itaipu, 2005
Muita gente postando fotos dos tempos de criança no Facebook em homenagem a 12 de outubro. Não sei explicar (será que não sei?), mas não conseguia me mobilizar, correr atrás de fotos minhas quando era pequeno para colocar lá também. Mas hoje decidi postar. Uma foto minha e outra de 2005 com minha sobrinha Catherine (então com cinco anos) na abençoada praia de Itaipu.

Cuidei e cuido mal de minha história pessoal, que está espalhada por aí e, sinceramente, nessas horas gostaria de ser mais cartesiano, mais “marcha soldado”, mais organizado, ter livros, cadernos com toda a minha história, meus milhares de textos publicados, mas não. O que vejo é uma zona, uma baderna, um emaranhado de coisas espalhadas, perdidas, sumidas.

Minha infância. Lembro muito bem dela porque é na infância que a felicidade plena, absoluta, deixa suas pegadas tatuadas em nossa alma, já que a infância é uma fantasia concreta. Acho que só na infância temos acesso temporário a felicidade plena porque vivíamos nadando no lúdico, nos sonhos, na ingenuidade, na alienação natural e sem o adestramento que vem mais tarde.

Minha infância foi em Angra dos Reis. Meu pai era oficial de Marinha e saímos daqui para morar na vila do Colégio Naval quando eu tinha uns três ou quatro anos. E lá vivi até quase nove.

Meu primeiro colégio ficava no centro de Angra e se chamava “Santa Infância”. Até recentemente tinha o diploma emoldurado em minha mesa de trabalho, mas ele também sumiu. Minha infância está guardada em minhas memórias e envolvem muitos passarinhos, em especial coleirinhos, tiês-sangue, sabiás, muito mar, pedras, siris, caranguejos e ele, o céu.

Ficava horas e mais horas deitado numa pedra de barriga para cima olhando o céu, vendo os jatos passarem muito alto riscando linhas retas e brancas naquele azul profundo. A noite, os jatos davam lugar aos satélites, que como estrelas minúsculas cruzavam o céu. Numa dessas sessões de contemplação lembro bem do meu primeiro, digamos, questionamento filosófico. Em pensamento perguntei para mim mesmo “será que sou feliz?”. Muitos anos depois, entregue a psicanálise (viva ela!), essa frase foi trabalhada exaustivamente. Trabalhada, trabalhada, trabalhada. Em resumo, minha infância foi tão feliz que custei a me desapegar.

Um dia, no final de uma sessão, disse para a minha querida analista “minha infância ficou em Angra. Mora lá, perambula por lá.” Foi no dia de um amanhecer de verão quando minha família deixou o Colégio Naval rumo a chamada civilização. Mudamos para Niterói. Lembro que quando saíamos de carro o “meu” coleirinho predileto cantava forte no alto de um ingazeiro enquanto o sol dava sinais de sua presença. Foi a última imagem de minha infância: o sol nascendo, o ingazeiro e o coleirinho. Minha santa infância acabava ali.

O lado B do disco da vida começou a tocar quando entrei em Niterói e tive que entender o que era um apartamento, sem mar, sem cipós, sem árvores, coleirinhos, ônibus, caminhões. Tive que engolir a insegurança pública, ir a colégio sendo levado por alguém, enfim, fui do Cosmos ao caos em poucos dias e fui apresentado a neurose.

Sofri muito, mas com o passar do tempo, dos ventos, dos amigos, grandes analistas e terapeutas e almas gêmeas como o meu pai (fiel e paciente depositário de minhas angústias), segui em frente e consegui guardar minha infância num precioso cofre sem chave, onde todos tem acesso porque não gosto de levar a vida cercado de senhas. O problema é que na sintomática balbúrdia da minha casa não sei onde o cofre foi parar.


Mas isso é outro assunto, para outras infâncias, para outros dias da criança de todos os tempos, céus, praias, serras e cantos de coleiros e sabiás.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O avanço da máfia do fundamentalismo religioso no Brasil

12 de outubro de 1995
12 de outubro de 1995
A máfia do fundamentalismo religioso, que se diz evangélico, tomou conta de todas as mídias. Incontáveis emissoras de rádios e TVs alugadas para igrejas que vendem milagres e arrastam a massa para o beija mão de seus políticos. Máfia tão poderosa que passa por cima da lei.

Concessões de canais de rádios e TVs não podem ser alugadas, mas a farra tomou conta. O aluguel de uma FM custa, para o dono da concessão (Rio e São Paulo) algo em torno de 500 mil reais por mês. O proprietário não gasta nada, não contrata ninguém, ele apenas aluga uma concessão pública e ouve o tilintar da grana caindo em sua conta bancária todo mês. Algo como se alguém alugasse praças, túneis, viadutos para terceiros.

Daria para acabar com a baderna, mas o Congresso Nacional também come na mão dos bispos com b minúsculo e similares, e a chamada “bancada evangélica” não para de crescer e avançar com uma absurda e desmedida fome de poder. Não há ética, não há fé genuína, não há honestidade. Há negociata, jogatina, tráfico de influência. As igrejas sérias (claro que elas existem e são muitas) acabam pagando uma conta que não é delas.

Uma amostra do poder dessa máfia foi a eleição de vários prefeitos em dezenas de cidades brasileiras, culminando com o escárnio que foi a vitória do bispo licenciado da igreja universal, Marcelo Crivella, que assumiu a Prefeitura do Rio. Um fenômeno que mostra o poder da universal, que reúne milhões de fies que são comandados pela bisparada como manada de descerebrados.

É impressionante a capacidade de organização da máfia do fundamentalismo religioso, em especial da igreja universal. A empresa aluga vários canais de TV e rádio com programas que fazem lavagem cerebral dia e a noite, além de ser dona da poderosa rede Record. A catequese do mal chega em todos os confins do país através de pastores que além do dízimo cobram votos.

Essa malta não quer pouco. Quer fabricar um presidente da república já que para eles o céu, além de não ser o limite, é a principal mercadoria do comércio. Adestrando pessoas, uma massa incalculável, fazem campanhas eleitorais em seus cultos visando apenas seus intere$$ses. Claro, o governo do Estado do Rio é o próximo golpe já que a eleição de Crivella abriu o caminho para a tigrada entrar.

Qual será o limite?