quinta-feira, 23 de novembro de 2017

“1973- o ano que reinventou a MPB”, de Célio Albuquerque vai virar série do Canal Brasil


“1973- o ano que reinventou a MPB”, de Célio Albuquerque 431 páginas) vai virar série do Canal Brasil, já em produção. Maravilha!

O excelente livro foi lançado pela Sonora Editora, do pesquisador musical Marcelo Froes e é leitura fundamental para quem se interessa por música brasileira de qualidade. Cada autor conta como um álbum (LP na época) foi feito. Como, quem, onde. Está tudo lá.

O livro chegou num momento especial, difícil, complicado, bizarro da música brasileira que está assolada pela molambalização, baixaria e outros conceitos ainda menos dignos.

Lembrar de épocas como 1973 foi uma grande sacada do Célio, um viciado em qualidade como todos os ensaístas que estão à bordo deste livro. Ou seja, a necessidade de conhecer a fundo ou de relembrar bons momentos, faz de “1973- o ano que reinventou a MPB” uma iguaria necessária nesses tempos de fome de qualidade musical que estamos vivendo.

Bom saber que houve um tempo que mostrou que é permitido criar, ousar, delirar, surfar as ondas da qualidade musical, sem medo, sem jabá, sem baixaria.

Célio Albuquerque está de parabéns pela organização do livro, cujos textos são extraordinários. Marcelo Froes merece aplausos por ter colocado a sua Sonora editora à frente deste ousado movimento (sim, o livro é sobre um “movimento” com nome de ano, 1973), em tempos de arrego editorial.

Best seller. “1973- o ano que reinventou a MPB” está “condenado” a se tornar um, apesar de não ser de autoajuda ou de baixa literatura.


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

32 de dezembro

Segunda-feira anormal como outra qualquer.

Entra no ônibus pensando no nada ignorando o falatório em volta. Para, anda, para, anda.

De propósito desce fora ponto, entra no bar “Do Nunca”. Bebe leite morno, não paga e sai. Reto. Reto. Reto.

No trabalho, muitas horas extras. 31 de dezembro. Projetos, softwares, alguns risos aflitos das secretárias tramando o reveillon com amigas no celular.

Sete da noite. Só na corporação. Mesas desarrumadas, uma ou outra cadeira fora do lugar, ar condicionado central no máximo. Só na corporação. Vidros duplos a prova de som, potentes computadores de última geração processando projetos, inventos, planilhas, manuais, procedimentos.

Nove da noite. Pega o telefone. Não há para quem ligar. Desliga. Senta em frente ao computador principal. Procedimento previsto para as nove da noite ali, três da tarde lá. Lá, Los Angeles, L.A. 

Enter. OK.

Onze da noite. Duplo procedimento. Demorado. Complicado. Cinquenta e sete minutos. 

Enter. OK.

Onze e cinquenta e oito da noite. Silêncio. Os dois seguranças na sexta ronda de rotina entram no salão. Desejam feliz ano novo.

Meia noite e cinco. Deixa o prédio e caminha entre o estrondo e as luzes dos fogos de artifício. Pessoas gritam nas janelas, celebrando o que acham que precisam celebrar.

Meia noite e vinte e três. Táxi.

Uma e doze da madrugada. Desce do táxi.

Uma e vinte da madrugada. Outro táxi.

Vinte horas e quinze minutos. Entra na casa. Velha conhecida. Bate o portão com as filhas gêmeas penduradas no pescoço.


Enter. OK.


terça-feira, 21 de novembro de 2017

O Homem que Amava as Mulheres

                                                                         
François Truffaut (1932-1984) era um gênio e deixou nesse planetinha suburbano, moralista e cafajeste uma montanha de obras primas, entre elas “O Homem que Amava as Mulheres”, filme de 1977. É difícil e achar, mas está por aí.

O filme conta a história de Bertrand Morane, um cara de meia idade que tem obsessão por mulheres. Bertrand conquista, conquista, conquista compulsivamente mas vive afogado num oceano de sofreguidão, angústia, culpa e solidão.

Bertrand é interpretado pelo polonês Charles Denner, morto em 1995 com 67 anos. Truffaut nos deixou com apenas 52. Denner atua muito bem em “O Homem que Amava as Mulheres” e não foi à toa que ao longo de 30 anos foi requisitado também por  Louis MalleClaude ChabrolJean-Luc GodardCosta-GavrasClaude Lelouch

Capaz de atirar de propósito o carro num poste e andar 300 quilômetros para conquistar uma mulher, Bertrand é neurótico radical sim, mas traz os traços muito comuns dos homens de meia idade que vivem saudavelmente, nadando contra as correntes da sociedade hipócrita que formam as classes média e rica. Os pobres? São muito mais livres, basta olhar.

Um dia desses vi uma malabarista de uns 20 e poucos anos num sinal de trânsito, batizado por São Paulo de semáforo. Shortinho enterrado, braços levemente tatuados, pearcing no nariz, em troca de uns trocados dos motoristas ela jogava três bastões de fogo para cima, para baixo, entre as virilhas e os manipulava com a intimidade das cortesãs do século XX manuseando um robusto bacamarte.

Se Bertrand Morane estivesse ali daria um jeito de conseguir nome, telefone, endereço, CPF da malabarista, para caçá-la, abatê-la e depois ser mais uma vez acachapado pela ansiedade infinita dos infelizes e seus teoremas existenciais indecifráveis e irrealizáveis.

Como Nelson Rodrigues, Bertrand Morane era um doente, mas faz falta. O Bertrand que nos habita, asfixiado pelo torpe moralismo gerenciado pelos carrascos da liberdade comezinha, caiu em desuso no crepúsculo do século 20 quando o lema “é permitido proibir” ganhou as calçadas, avenidas, viadutos, lojas de calcinhas e sutiãs, bordéis.

O auto batizado “garanhão” de Bertrand, na verdade um paquerador radical, inconsequente e (repito) sofredor até a medula hoje é rotulado de “assediador” “impertinente”, “pervertido”, “tarado”, digno de ser “retirado do meio social em nome da moral e dos bons costumes”.

“O Homem que Amava as Mulheres” poderia ser exibido em escolas para mostrar a face oculta da opressão e, de lambuja, que Sigmund Freud
teve razão quando falou da projeção feminina esculpida pela figura da mãe. A mãe de Bertrand era prostituta e quando ele era adolescente a via desfilando de calcinha e sutiã pela casa, causando uma dor atroz. Mais: ele abriu suas gavetas e leu sua troca de correspondências com os machos, dezenas deles, e sempre o mandava levar cartas (para eles) ao correio. Bertrand jogava fora.

Minha faculdade exibiu o filme em 1978, em pleno pátio, para quem quisesse assistir. Me disseram que lotou, mas eu não estava lá. Se a TV Brasil (estatal) fosse do Estado e dos políticos passaria esse filme em horário nobre, mas não é da índole atual estimular o que agrega e sim o que racha, divide, mutila. Povo mutilado perde força e poder e, assim, o governo rouba mais à vontade.

Não sei onde encontrar “O Homem que Amava as Mulheres”, mas vale a pena correr atrás via Google, Bing e similares porque é preciso deixar claro para todo mundo que houve, sim, uma era onde a vida era mostrada, exibida, arreganhada sem pudores, censores, réguas, compassos, não-libidinagem explícita.


domingo, 19 de novembro de 2017

Uma “re-resenha” do magistral show de Paulinho Guitarra no Teatro Municipal de Niterói, dedicada a um grande vacilo meu

                        Paulinho com a Diva Adriana Ninsk. Foto do mestre Luiz Edmundo Castro
                          Paulinho, aos 13 anos, em sua primeira banda, "Os Adolescentes".Ele é o segundo da direita para a esquerda com Oldair, Dutra e Luiz Carlos Britto.

Aqui no sertão da minha suave ignorância em informática intuí que existe um componente ilógico nesse mundo binário. Desculpa de ineptos? Pode ser. Explico:

Cheguei do show do grande Paulinho Guitarra no Teatro Municipal de Niterói (parabéns pela esplendida programação, Marilda Ormy), na última quinta a noite, com a alma lavada. Teatro lotado, música plena no ar. Nas primeiras horas de sexta, dia 17, abri esta plataforma do Blogger e digitei direto no sistema uma resenha sobre o show. Sim, isso não se faz, deve-se escrever num editor de textos e depois migrar para o Blogger, mas eu estava ansioso, queria compartilhar logo com todo mundo a alegria de ter assistido a um dos melhores shows que assisti na vida, já que Paulinho Guitarra está entre os melhores do mundo.

Como sempre, postei e compartilhei no Facebook. Beleza. Na mesma hora, dezenas de comentários de pessoas que também assistiram, todos no maior astral, na maior alegria, chamando o show de “fabuloso”, “grandioso”, “genial”. E assim foi até a tarde de sábado, ontem, quando postei no Facebnook a chamada para o meu artigo semana no site Coluna do Gilson, do amigo Gilson Monteiro.

Devo ter feito alguma lambança porque quando pus a chamada no ar derrubei uns quatro artigos do Blogger, inclusive a resenha do show do Paulinho que, o vacilão aqui, decidiu escrever direto, e não no word para caso de necessidade.

Mas, querem saber? Uma boa oportunidade para revelar mais uma vez a minha emoção diante do show maravilhoso que reuniu quase 25 músicos se revezando no palco que foram ao Teatro Municipal abraçar e tocar com o Paulinho Guitarra pelos 62 anos de vida e 50 como músico.

Afinal, ele inventou uma música nova, uma inédita maneira de tocar guitarra absolutamente a prova de rótulos. Foi um show-baile-aula de música com direito a músicas de seu novo álbum que vem aí que vai se chamar “Baile na Suméria”, que foi também o nome do show.

Demais! Desculpem o vacilo (foi mal, Paulinho, foi mal Jane Lapa!) e postem, por favor, seus comentários de novo já que, como na música, o jornalismo também tem seus remixes. Prometo não mexer (rs).

Uma boa semana!

sábado, 18 de novembro de 2017

Solidão

Saudade, velho amigo.

Não adianta fugir, correr, pular cercas. Ela é o maior desafio existencial da espécie humana. Solidão. Por mais que saibamos se tratar da condição humana básica e que em muitos casos se apresenta como um agudo sentimento passageiro, a solidão é impiedosa. Machuca, fere, marca. Musa de milhares de canções, filmes, poemas, livros.

Saudade, velho amigo.

Flagelo dos que não suportam conviver com suas ebulições interiores, ignorando a regra, provada e comprovada, de que o homem é o mais solitário dos mamíferos. Por mais solidário que às vezes demonstre parecer.

Saudade, velho amigo.

A solidão exige muita resistência, criatividade, autocompreensão. Os que se tornam reféns deste deserto que ora se apresenta como fato consumado, ora como circunstância de momento, cai nos braços da culpa, que, dizem, é bem pior. É fato que todos os seres humanos eventualmente estejam nas garras da solidão.

Saudade, velho amigo.

Transformá-la em criação é o desafio. Desafio possível.

Saudade, velho amigo.

O solitário latino, por inúmeras razões socioculturais, parece padecer mais. Ninguém sabe ao certo por que a solidão, apesar de voraz, é imprecisa. Muito imprecisa. E nos pega sem dia e hora desmarcados.


Saudade.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Ives Gandra: ‘Não sou nem negro, nem homossexual, nem índio, nem assaltante, nem guerrilheiro, nem invasor de terras. Como faço para viver no Brasil nos dias atuais?’

Artigo do jurista Ives Gandra publicado no Estadão


Meu Nome é: Ives Gandra da Silva Martins. Hoje, tenho eu a impressão de que no Brasil o “cidadão comum e branco” é agressivamente discriminado pelas autoridades governamentais constituídas e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que eles sejam índios, afrodescendentes, sem terra, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos. 

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, ou seja, um pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco hoje é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior (Carta Magna). Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que eles ocupassem em 05 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado, e ponham passado nisso.

Assim, menos de 450 mil índios brasileiros – não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também por tabela – passaram a ser donos de mais de 15% de todo o território nacional, enquanto os outros 195 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% do restante dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados. Aos ‘quilombolas’, que deveriam ser apenas aqueles descendentes dos participantes de quilombos, e não todos os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição Federal permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito. 

Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um Congresso e Seminários financiados por dinheiro público, para realçar as suas tendências – algo que um cidadão comum jamais conseguiria do Governo! Os invasores de terras, que matam, destroem e violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que este governo considera, mais que legítima, digamos justa e meritória, a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse ‘privilégio’, simplesmente porque esse cumpre a lei.. 

Desertores, terroristas, assaltantes de bancos e assassinos que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de R$ 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para ‘ressarcir’ aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos. E são tantas as discriminações, que chegou a hora de se perguntar: de que vale o inciso IV, do art. 3º, da Lei Suprema? Como modesto professor, advogado, cidadão comum e além disso branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço nesta sociedade, em terra de castas e privilégios, deste governo.


O que é que a boiada tem?

O que é que a boiada tem?

Minha única incursão na pecuária é quando me atraco com uma picanha ou mignon num bom restaurante. Desde que não seja Friboi ou qualquer bosta produzida pela JBS.

Tentei até arriscar no mercado, muitos anos atrás, quando fui um dos 20 mil babacas que comprar Certificados de Investimento Coletivo (CICs)* de uma empresa que vendeu mais boi de papel do que boi de fato, o que chamei numa reportagem em São Paulo de “Boi sem mugido”.

O presidente da Presidente da Fazendas Reunidas Boi Gordo, o empresário Paulo Roberto de Andrade jura que vai pagar a todo mundo. Todos, menos a mim cujo certificado estava naquela Kombi que fazia uma mudança minha, foi roubada no caminho e depenada. Os ladrões levaram meus discos, livros (de vinil não liguei, mas todos os meus CDs foi demais!), títulos de cidadania, diploma do jardim de infância e os cacetes.

Curiosamente os pan corruptos  irmãos sertanojos Joesley e Wesley Batista chupam grana de bois. Chupam, lavam, fraudam, etc.
O Grão Mor da corrupção no Estado do Rio, o cabeça da família Picciani, professor de roubalheira generalizada de Sérgio Cabral, comparsa de Paulo Melo e do quase membro vitalício do Tribunal de Contas do Estado, escrotóide Edson Albertassi, também é cafetão do gado.

Quer dizer, o Grão Suíno Picciani usa o seu exército de chifrudos, espalhados em várias e milionárias fazendas para todo o tipo de tramoias, inclusive presidir a Alerj, um puxadinho que mantem no centro do Rio, habitado por suínos de várias espécies que trabalham pelo mal do serviço público. Um puteiro (no mau sentido) de verbas púbicas como a mais recente descoberta da PF. Mediante algumas dezenas de milhões de reais, Picianni, Paulo Melo e o escrotóide Edson Albertassi empresas deram um rombo de R$ 280 BILHÕES no Estado do Rio. 
Conclusão: o estado faliu.

Mas e o fascínio pelo boi que os corruptos tem? O que será? O que é que a boiada tem?

* Minha última aventura no cassino chamado bolsa de valores foi quando, assistindo TV, vi Amaral Gurgel perguntando: “Se Henry Ford te chamasse para ser sócio, você seria?”. E convidou para a compra de ações para financiar o carro BR 800.
Eu e meu saudoso amigo Alex Mariano, fera também em mercado financeiro, compramos. 
O BR 800 foi lançado. Dias depois a Fiat acabou com ele lançando o Uno Mille. A Gurgel faliu e minhas ações foram para Bicas, MG. Nunca mais olhei nem para o site da bolsa de valores.