segunda-feira, 29 de agosto de 2016

‘Ora que melhora!’, a mensagem no vidro de um carro

Antigamente as mensagens, digamos, automotivas eram vistas (e lidas) nos pára-choques de caminhões. Mensagens bem humoradas, outras mais reflexivas, mas quase todas de bem com a vida. Com o passar do tempo, essas mensagens acabaram chegando ao automóvel através dos adesivos. Linguagem direta, objetiva.

Tempos atrás, debaixo de chuva, a bordo de um táxi vi as ruas cheias de gente com a aparência de cansaço, uma imagem meio em câmera lenta. Resolvi me distrair lendo os dizeres dos adesivos dos carros que tentavam se deslocar naquele trânsito preguiçoso e muitas vezes irritante dos dias chuvosos.

A primeira que li no vidro de um carro foi: "Ora que melhora!". Gostei da mensagem, da ideia, da intenção. Afinal, se existe um conceito universal que une todas as religiões, crenças e correntes filosóficas é o poder da oração, poder esse que a ciência já reconhece há bastante tempo.

Mais à frente, na tampa do porta-malas de um carro bem usado, um adesivo anunciava: "É velho, mas é meu". Também gostei. Afinal, que história é essa de que todos têm que ter carros novos, sapatos novos, roupas novas? Essa mensagem extremamente positiva de certa forma mostrou o orgulho do proprietário daquele carro. O cheiro de vitória, mais uma etapa de sua vida, simbolizada por prestações e mais prestações que finalmente foram quitadas.

Claro que em ano eleitoral começam a surgir nomes e apelidos em vidros de todos os tipos de veículos anunciando que alguém vai se candidatar a alguma coisa. E esse alguém, com toda a razão, confia no poder dos adesivos. O que faz uma pessoa comprar e colocar, muitas vezes em letras garrafais, a frase "Vivo arranhado, mas não largo a minha gata" no vidro traseiro do carro?

Mensagens em adesivos colocados em veículos estão longe de ser uma exclusividade brasileira. Os norte-americanos adoram adesivar seus carros, motos, caminhões, ônibus, com mensagens que muitas vezes não fazem o menor sentido. Uma delas é "Não me siga, estou perdido também", que pode ter mil conotações. Desde o perdido no trânsito banal até o perdido na vida, nas perspectivas, no emaranhado de dúvidas e angústias, características básicas dos seres humanos.

No caso do "Ora que melhora!", que vi no trânsito moroso, chamou minha intenção porque no táxi ao lado uma senhora de idade fechou os olhos e juntou as mãos assim que leu a mensagem. Só ela sabe porque orou, para quem ou o que orou, mas o fato é que a mensagem atingiu seu objetivo. Eu, inclusive, também fiz uma oração porque acredito, sim, no "Ora que melhora".

Muito já se escreveu e falou sobre as frases de pára-choques de caminhões. Há, inclusive, um livro a respeito que li há anos atrás e que lamentavelmente perdi. O autor colecionou as frases ao longo de anos viajando pelas estradas brasileiras e reuniu um esplêndido coquetel de reflexões, algumas de extrema sensibilidade, outras de ótimo humor, mas nenhuma negativa, difamadora, rancorosa.

Quando migraram para os carros, o objetivo foi o mesmo. Humor, boas sacadas, fé e muito pouca baixaria. O que é muito bom para todos nós.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Livros da semana - Impressionante liquidação de livros com até 90% de desconto!

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A Vida como ela é – caixa de Nelson Rodrigues


A vida como ela é...” dispensa apresentações! Histórias de ciúme, obsessão, dilemas morais, inveja, desejos desgovernados, adultério e morte fisgaram logo de imediato os leitores da coluna de jornal que consagrou o nosso maior dramaturgo. 
Os contos, depois de publicados em jornais, foram lançados em livros e até hoje representam uma marca do autor, chegaram também a sofrer adaptações para o rádio e para a TV — sempre como sinônimo de grande sucesso de público. 
O boxe é composto pelos 3 livros de contos da principal série de Nelson Rodrigues: "A vida como ela é...", "A vida como ela é... em 100 inéditos" e "A vida como ela é... em série".

Machado de Assis – 40 Contos escolhidos

400 páginas

Esta biblioteca machadiana de bolso reúne 40 contos de Machado de Assis, renomado escritor brasileiro do século XIX. A seleção foi feita valorizando contos com apelo tanto para jovens como para leitores experientes. 
Os textos consagrados não poderiam faltar, mas estão presentes também diversas narrativas menos conhecidas, em que a ironia machadiana mergulha nas sutilezas da natureza humana.

A Sabedoria dos Beatles nos Negócios

Richard Courtney, George Cassidy

256 páginas


Este livro é construído de forma muito dinâmica, capítulos curtos, boas idéias, prático e até mesmo divertido. Não se trata apenas de um ótimo complemento para qualquer estante dos fãs dos Beatles é também uma excelente leitura para qualquer empresário que busca realizar bons negócios.
Os capítulos contém lições muito importantes sobre gestão dos negócios e da história dos Beatles. Trata-se de uma série de vinhetas curtas, onde um ponto da história dos Beatles é mencionado seguido por uma descrição das conseqüências de negócios e que os outros podem aprender com ele. As histórias abrangem o sucesso da banda, bem como a separação e suas causas. Cada um dos itens são de extrema relevância para diferentes tipos de negócios.
Como um livro sobre os Beatles, ele fornece as pepitas da verdade da carreira dos Beatles do começo ao fim, de como eles "se uniram" para se tornar um sucesso.

                                                       

O Burguês


Entre a História e a Literatura



300 páginas

A ascensão e queda da figura do burguês na literatura é o tema do livro do crítico italiano Franco Moretti, professor de literatura da Universidade Stanford (EUA). Em seis capítulos concisos, enérgicos e ilumi-nadores, ele recorre à obra de alguns dos principais autores do século XIX e início do XX, a fim de demonstrar como a busca de hegemonia por parte da cultura burguesa está entrelaçada à racionalização da prosa e à invenção do romance.
Por meio das obras de, entre outros, Daniel Defoe, Jane Austen, Gustave Flaubert, Machado de Assis, Joseph Conrad e Henrik Ibsen, o crítico mostra como o declínio do burguês ocorre a despeito da consolidação do capitalismo. "As mercadorias se tornaram o novo princípio de legitimação; o consenso passou a ser erigido sobre coisas, não sobre homens - menos ainda sobre princípios", escreve Moretti.

Barulhos


108 páginas

Barulhos reúne a produção poética de Ferreira Gullar entre 1980 e 1987. Neste livro, o poeta conta o caminho percorrido naqueles anos, os amigos perdidos, a diária redescoberta do corpo. É uma obra que marca, em definitivo, a passagem do escritor pelo pórtico da maturidade e a cristalização de seu estilo poético, de sua forma. 
Considerado o maior poeta brasileiro da atualidade, Ferreira Gullar recebeu inúmeros prêmios: o Machado de Assis/Academia Brasileira de Letras (2005) e o Camões (2010), a mais alta distinção em língua portuguesa. Em 2011, com Em alguma parte alguma, Gullar recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor de Livro de Poesia e o de Livro do Ano.
Com o lançamento de Barulhos e Na vertigem do dia, a José Olympio completa o novo projeto gráfico da obra poética de Ferreira Gullar

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Livros da semana - 11

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Caixa Rubem Braga: crônicas

736 páginas

Grande cronista, Rubem Braga redimensionou o lugar da crônica no país. Sua sensibilidade era imensa, capaz de transformar a mais simples observação numa escrita perturbadora, cheia de lirismo, frescor e estilo único.

Rubem Braga deixou, em 62 anos de atividade profissional, a impressionante marca de 15 mil textos. Foi pensando nisso que a editora Autêntica convidou os autores André Seffrin, Bernardo Buarque de Hollanda e Carlos Didier para selecionar e organizar crônicas até agora inéditas em livro.
O resultado são três volumes com textos sobre artes plásticas, política e música, reunidos numa caixa. Cada um traz cerca de 100 crônicas, além de posfácios escritos pelos organizadores, com comentários sobre a vida e a obra do escritor capixaba, e textos de orelhas de Miguel Sanches Neto (artes plásticas), Milton Hatoum (política) e Aldir Blanc (música).

A seleção comprova o talento, a atualidade dos temas, a visão criativa de Rubem Braga, este três volumes confirmam o que os críticos não se cansam de repetir: a verdade é que ninguém escreveu crônica como Rubem Braga.
                         
Na sala de roteiristas

Christina Kallas


256 páginas


Com uma narrativa cada vez mais sofisticada, as séries americanas revolucionaram a TV e conquistaram o mundo, dominando a atenção do público e da crítica e influenciando até o cinema.

No centro dessa revolução está o autor - e a bem sucedida "sala de roteiristas", método de trabalho coletivo dos escritores de uma série de TV. Christina Kallas conversa com showrunners e autores de alguns dos dramas televisivos. Compartilhando suas experiências e práticas da "sala de roteiristas", eles falam sobre a arte de escrever e criar para a TV séries como Família Soprano, Mad Men, Game of Thrones, Friends, Seinfeld, The Wire, Law & Order, entre outras. Em textos complementares, Kallas faz um balanço do desenvolvimento da narrativa para TV em contraponto ao cinema.

Analisando a importância decisiva do roteirista nesse processo - que levou para a TV o que há de mais interessante em dramaturgia atualmente -, ela oferece reflexões inestimáveis tanto para profissionais do ramo quanto para "viciados em séries" e espectadores em geral.
                                             

Jimi Hendrix - Biografias 32

Franck Médioni
Na vida, precisamos fazer o que temos vontade, precisamos deixar o espírito e a imaginação flutuando, flutuando, livres.” Contemporâneo dos Beatles, de Bob Dylan e John Coltrane, o guitarrista, cantor e compositor norte-americano Jimi Hendrix (1942-1970) ocupa, na história da música, um lugar à parte: o de maior guitarrista de todos os tempos.

No epicentro dos anos 60, marcados pela transgressão e contestações de todo tipo, ele inventou um novo jeito de tocar a guitarra elétrica e desenvolveu técnicas de gravação em estúdio que mudaram a música popular para sempre.

O mundo sonoro por ele criado passou a ser o de toda uma geração que, sem amarras, buscava uma identidade. Sua morte prematura aos 27 anos, tendo gravado apenas quatro álbuns, amplificou o alcance do mito. Junto do seu legado de distorções propositais, do excesso de agudos e manipulação da microfonia, fica a imagem de alguém que tinha a guitarra como uma extensão do próprio corpo. 
                             

A Lei: Por Que A Esquerda Não Funciona

As Bases Do Pensamento Liberal

Frédéric Bastiat
Este livro traz uma reflexão prática sobre ideias de filósofos e outros pensadores acerca da política e da vida em sociedade, dentre eles John Locke e Adam Smith, e trata de temas como liberdade, direitos à propriedade, espoliação, igualdade, livre iniciativa, impostos, democracia, sufrágio universal, autoritarismo e tantos outros que, passados quase dois séculos, ainda provocam debates acalorados.
Nesta edição estão incluídos comentários e análises que relacionam o tema à legislação e à história política do Brasil contemporâneo.
                           

Os Crimes De Paris

O Roubo Da Mona Lisa E O Nascimento Da Criminologia Moderna

Dorothy e Thomas Hoobler
O roubo da Mona Lisa, em agosto de 1911, foi um dos crimes mais extraordinários do século xx. Durante mais de dois anos, a obra-prima de Leonardo da Vinci permaneceu nas mãos dos ladrões, enquanto a polícia francesa buscava o seu paradeiro a partir de poucas e confusas pistas, que levaram a suspeitas de envolvimento até mesmo do pintor Pablo Picasso e do poeta Guillaume Apollinaire.

O episódio é o estopim de Os crimes de Paris, que reconstitui os últimos anos da Belle Époque por um viés inédito: assassinatos, roubos e grandes escândalos que emocionaram a opinião pública. É o lado escuro de Paris que emerge desse livro, que também trata do modo como os avanços técnico-científicos na passagem do século XIX para o XX influenciaram o desenvolvimento da investigação policial.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

400 cavalos caríssimos e inúteis

                  Ford Mustang GT - utopia
                        Vw Up 1.0 - realidade
Sou apaixonado por carros e hoje vi um Ford Mustang GT vermelho, capaz de despejar 447 cavalos de potência, chegando a 279 km/h. Ele estava no para e anda de uma rua, para entrar no para e anda de uma avenida mais a frente. Seu motor V8 5.0 bebe 2,5 km/litro de gasolina nessas condições.

O pior de tudo é que nada adianta um carro ter mais de 400 cavalos de potência desde que os governos descobriram nos radares de velocidade (vulgo pardais) uma boa fonte de grana. Usam como desculpa a preocupação com a segurança dos cidadãos, que todos nós sabemos que é pura balela. Qualquer cidade vagabunda instala seus pardais em trechos de rodovias que passam por seus limites, alguns limitando em 40 km/h, em geral mal sinalizados. De propósito, já que a intenção é faturar.

Para piorar, a maioria das estradas está esburacada, mal sinalizada, pedestres, cavalos, jegues não tem como atravessar e o trânsito parece um rolo compressor passando sobre vidas a todo instante.

A ponte Rio-Niterói foi inaugurada em 1974 com três pistas de cada lado com o limite de velocidade em 120 km/h. Em julho passado, o governo federal instalou pardais na via que limitam a velocidade em 80 km/h, sempre em nome da “segurança do cidadão”. Tem gente padecendo de sono a 80 km/h na via durante a noite. O bom senso sugeria que para carros esse limite poderia ficar em 100 km/h e em 80 para ônibus e caminhões, vilões históricos daquela via. Mas, também lá, prevalece a esperteza estatal.

De que adianta ter um carro de 100 cavalos se nem metade da potência do motor pode ser usada? Exemplo: um Fiat Palio 1.6 tem 117 cv de potência e a 80 por hora está muito longe da velocidade e cruzeiro. Um Renault Sandero 1.6 tem 106 cv enquanto um Toyota Corolla 2.0 tem 154 e um Honda Civic 155. Todos eles bebem muito nos congestionamentos crônicos das cidades brasileiras e a pergunta que fica é “vale a pena investir?”. O Brasil merece? Ou tornou-se, definitivamente, a terra do motor mil, vulgo 1.0?

Um exemplo de que o consumismo tem, literalmente, limites no terceiro mundo.


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Livros da semana - 10

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Macunaíma - O Herói Sem Nenhum Caráter

Mário de Andrade
240 páginas

Mário de Andrade publicou Macunaíma em 1928. O livro foi um acontecimento. Debochado e intensamente brasileiro — ainda que muito pouco ou nada nacionalista —, este romance é ainda hoje um dos textos fundamentais do nosso Modernismo.

E continua a influenciar as mais diversas manifestações artísticas. Nascido nas profundezas da Amazônia, o herói de Mário de Andrade é cheio de contradições — assim como o país que lhe serve de berço.
É adoravelmente mentiroso, safado, preguiçoso e boca-suja. Suas peripécias vêm embaladas numa linguagem rapsódica e inventiva, um marco das pesquisas de seu autor em torno de uma identidade linguística brasileira.
                                                  
                                             A capa do livro não está disponível. Foto provisória

Petrobrás: uma História de Orgulho e Vergonha

Roberta Paduan
392 páginas

Como a empresa que por tanto tempo foi espelho do que o Brasil tem de melhor se tornou sinônimo de roubo em grande escala? É o que a jornalista Roberta Paduan explica no impactante "Petrobras - Uma história de orgulho e vergonha".

Fruto de um trabalho extenso de pesquisa e apuração, o livro narra como a estatal foi cenário de vários casos de mau uso político e desvio de verbas ao longo de sua existência, nos governos posteriores à ditadura militar, até se tornar totalmente refém de um esquema de corrupção bilionário.

Repórter e editora da revista "Exame", onde cobriu o Petrolão de perto, Roberta revê a cronologia do escândalo combinando histórias chocantes de bastidores com informações apresentadas de maneira acessível, ajudando o leitor a compreender a magnitude dos danos feitos à petroleira e seus desdobramentos. A Operação Lava-Jato surge como fio condutor nos principais momentos, muitos dos quais ganham ares de thriller dado o ritmo do texto e o caráter cinematográfico dos personagens e suas ações. Um retrato revelador do debacle de um dos maiores símbolos do Brasil.
                         
                                    
Dado Villa-Lobos: Memórias de um Legionário

Dado Villa-lobos, Felipe Demier, Romulo Mattos
256 páginas

Trinta anos após o lançamento do seu primeiro disco, a lendária banda Legião Urbana tem a sua história e seus bastidores pela primeira vez contados por um de seus integrantes, o guitarrista Dado Villa-Lobos, também compositor e produtor. Dado Villa-Lobos - memórias de um legionário é tudo aquilo que um fã ou mesmo um apreciador de biografias sonharia em encontrar em um livro.

Relembrando a sua própria trajetória como o guitarrista da banda que, mesmo após 15 anos do seu final, ainda era a terceira que mais vendia discos da gravadora EMI no mundo, Dado, juntamente com os historiadores Felipe Demier e Romulo Mattos, dá detalhes instigantes.

Ele, que ingressou na Legião Urbana em 1983, convidado por Renato Russo e Marcelo Bonfá, recorda, por exemplo, shows em que o público se rebelava e criava um caos, jogando pequenas bombas no palco. Para garantir a identidade e sinergia com os fãs e com a história da banda, a capa do livro foi criada pela mesma designer que produzia as capas dos discos da Legião Urbana, Maria Fernanda Villa-Lobos.

Vale a pena ler e esmiuçar, através de seu guitarrista, a história dessa banda de trajetória intensa e genial, que, apesar de ter encerrado suas atividades em 1996, continua cultuada e venerada por fãs de diferentes gerações e é considerada a melhor banda brasileira de todos os tempos.
                                  

                   Sou Fã! E Agora?

                      Frini Geoargakopoulos
                       160 páginas
Fã que é fã adora conversar, discutir, interagir. Mas nem sempre temos por perto um amigo tão fanático quanto a gente para desabafar. Foi pensando nisso que Frini Georgakopoulos, uma fã de carteirinha, escreveu este livro: um manual de sobrevivência voltado para quem é apaixonado por livros, filmes, séries de TV. 

Com uma linguagem rápida e divertida, Sou fã! E agora? é uma mistura de artigos breves e atividades interativas que convidam a refletir sobre os motivos para curtirmos tanto as histórias, além de ajudar a descobrir o que fazer com todo esse amor: criar seu próprio cosplay, escrever uma fanfic, organizar um evento, começar um blog ou canal e muito mais.
                 

Poemas Escolhidos

Mia Couto

190 páginas


O escritor moçambicano Mia Couto tem grande incursão na prosa, com livros de contos, crônicas e romances premiados, mas a poesia sempre fez parte de seu universo criativo e segue como uma de suas formas de expressão favoritas. 

Para esta antologia poética, o autor selecionou poemas de seus livros Idades cidades divindades, Raiz de orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas. Nas palavras de José Castello, autor da apresentação, “Os poemas de Mia Couto são, antes de tudo, reflexivos e filosóficos. [...] Abordam o ser e a incompreensível dor de existir. Inspecionam as dificuldades de viver. Trata-se de uma poesia que, sem se pretender didática, entra em sincronia com as perguntas que nos fazemos desde o nascimento”.







quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Dr. Ivo Pitanguy e porque não consigo pisar num circo

Carequinha: 10 anos sem ele.
Doutor Ivo Pitanguy partiu e a cidade de Niterói sentiu. Afinal, no incêndio do Gran Circo Norte-Americano (em 1961), ele trabalhou dias e mais dias sem dormir, ao lado de outros médicos. Foram mais de 500 mortos, numa tragédia que marcou a cidade para sempre.

Aqui, um trecho do texto de apresentação do livro “O Espetáculo Mais Triste da terra”, de Mauro Ventura:

“No dia 17 de dezembro de 1961 acontecia, em Niterói, a maior tragédia circense da história e o pior incêndio com vítimas do Brasil. Mais de 3 mil espectadores, a maioria crianças, lotavam a matinê do Gran Circo Norte-Americano, anunciado como o mais famoso da América Latina, quando a trapezista Antonietta Stevanovich deu o alerta de "fogo!".

Em menos de dez minutos, as chamas devoraram a lona, justamente no momento em que o principal hospital da região se encontrava fechado por falta de condições. O prefeito da cidade estabeleceu em 503 o número oficial de mortos, mas a contabilidade real nunca será conhecida.

Cinquenta anos depois, o jornalista Mauro Ventura reconstitui o episódio em 'O Espetáculo Mais Triste da Terra'. Curto-circuito ou crime? Era a pergunta que todos se faziam. A polícia logo descobriu um suspeito, mas até que ponto ele era o verdadeiro culpado ou o bode expiatório ideal para dar satisfações rápidas à sociedade e encobrir possíveis falhas das autoridades e do dono do circo? Quatro meses depois da renúncia do presidente Jânio Quadros, o país chegava novamente às manchetes internacionais.

O papa mandou celebrar uma missa pelas vítimas e enviou um cheque para ajudar no tratamento dos sobreviventes. O impacto da tragédia em Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro, foi tamanho que o assunto permanece encoberto até hoje.”

Eu tinha seis anos de idade e morava em Angra dos Reis. Meu pai, oficial de Marinha, serviu no Colégio Naval onde passei toda a minha infância na vila dos oficiais (que chamávamos de Taperinha) e por isso, somente por isso, não estava na plateia do Gran Circo Norte-Americano.

Quando as notícias do incêndio chegaram (especialmente via radio) o país estava chocado. Ouvi meus pais dizerem frases do tipo “graças a Deus não fomos...” e dias depois, na calada, escondido, vi as fotos em revistas como Manchete e Fatos & Fotos. Fiquei profundamente abalado e traumatizado. Fotos de corpos, desolação e, numa página inteira, a foto de um palhaço chorando.

Quando o filme “O Palhaço” de Selton Mello, estreou, percebi que o trauma do Gran Circo Norte-Americano não tinha se afastado de mim. Até hoje, quando vejo um palhaço sinto imediata vontade de chorar. Em 2005 tive a oportunidade de conversar sobre isso com Carequinha (1915-2006), que participava de um aniversário em casa de amigos.

“Force um pouco, tente ir a um circo”, me dizia o palhaço-mor de minha vida, para que eu vencesse o trauma. Mas não consegui. Não consegui, sequer, assistir ao show de Carequinha até o final. Fui para o fundo do quintal e chorei muito. Para minha surpresa, ele foi lá me dar um abraço.

Quando minha família saiu de Angra e veio para Niterói, em 1963, nunca me levou a um circo. Mesmo porque, durante décadas, montar circos em Niterói era proibido por causa da tragédia do Gran Circo e, sinceramente, eu não queria.

Quando estive como presidente da Fundação de Arte de Niterói (FAN), entre 1989 e 1997, um circo queria montar sua lona na cidade. A proibição havia sido revogada anos antes. Lembro que, com meu amigo e na época secretário de cultura Ítalo Campofiorito, exigimos que os donos do circo incendiassem um pedaço de lona à prova de fogo que eles garantiam ser a cobertura.

A revista Veja se interessou e marcamos a simulação de incêndio nas imediações da estação das barcas. O dono do circo pegou um pedaço de material medindo uns 2 metros quadrados e tacou fogo, garantindo que as chamas não iriam se alastrar. Não foi o que aconteceu. O pedaço de tecido lambeu, não sobrou nada e Ítalo e eu proibimos a montagem do circo.

Queria muito ter assistido ao filme do Selton, mas enquanto não me livrar desse trauma nenhuma atividade circense vai me atrair. Por isso, decidi comprar e ler o livro do Mauro Ventura. Quem sabe, diante da verdade, de uma reflexão em cima de fatos consolidados, meu trauma vai embora? Vou tentar.

Mas, pensei melhor e decidi abandonar o plano por uma razão muito simples: há coisas na vida que se tornam insuperáveis e a massa de informações sobre a tragédia me deixou profundamente abalado. O marco de tudo foi uma foto de página inteira (acho que na extinta revista Manchete) de um palhaço chorando. Foto em preto e branco.

Hoje, com a morte do Dr. Ivo Pitanguy (com quem conversei a respeito) vejo meu trauma como luto, solidariedade, enfim, um sentimento muito mais profundo. Quantas crianças da minha idade (repito, eu tinha seis anos) teriam morrido? Quantos artistas, gente do povo morreu sem entender nada? Meu trauma faz sentido e, querem saber?, vou deixar rolar. Peguei horror a circo e assim vou continuar.

Esqueci de dizer que na segunda metade dos anos 80, em Friburgo, numa tarde de sábado ou domingo, vi um toldo azul de um circo montado nas imediações da Praça do Suspiro. Fui me aproximando e vi no cartaz “Hoje, Egberto Gismonti”. Eu pense “caramba, Egberto?”. Claro que tinha tudo a ver porque Egberto é de Carmo, cidade vizinha a Friburgo, onde também viveu e deu aulas de piano na adolescência.

Respirei fundo, comprei o ingresso e fui ver o maior gênio da música brasileira tocar “Palhaço” no picadeiro. Quase esqueci do Gran Circo Americano ouvindo essa que é uma das mais belas canções da música universal. Egberto acabou o concerto, foi muito aplaudido e saiu. Saí junto. Anos depois, durante a restauração do Teatro Municipal de Niterói, quando eu estava presidente da Fundação de Arte de Niterói, Claudio Valério Teixeira (artista plástico e restaurador, responsável pela salvação do Teatro) teve a ideia de fazer uma temporada musical com a casa ainda em obras. Chamou-se “Temporada de Obras e ConSertos”, com S.



Egberto foi um dos convidados a tocar. Chegou cedo, por volta das quatro da tarde e ficamos conversando no galpão da obra que hoje é a bela Sala Carlos Couto. Perguntei sobre sua música “Palhaço”, e ele disse exatamente o que está no vídeo cujo link disponibilizo aí embaixo. Morria ali mais um boato pois haviam me dito que Gismonti teria feito o álbum “Circense” em homenagem as vítimas do Gran Circo. Nada disso. A explicação está neste vídeo da TV Cultura:
                                                  

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A degola do futebol masculino do Brasil

                                                     

Percebendo que sua cotação no mercado da bola pode cair uns pontos (leia-se euros), os vendilhões da bola que militam na seleção devem ter visto a luz amarela acender e devem vencer a Dinamarca, nesta quarta.

No entanto, muitos (será maioria?) brasileiros descobriram, mesmo que tardiamente, que não estavam sendo esculachados não só pela ladroagem oficial em Brasília, mas pela máfia da CBF. Pior: calados os amantes (pagos) do "esporte bretão", da "gorduchinha" souberam que as obras de todos os estádios que viraram arena na Copa de 2014 foram super faturadas pela ganância daqueles que ainda por cima, locupletados com os governos, puseram os preços dos ingressos lá em cima e fecharam a porteira para o chamado "povão".

Parece que não só o estelionato do governo caiu em desgraça popular. Por onde vou (e não vou a poucos lugares) o que vejo, observo, é um monte de gente calada ignorando o aparelho de TV que parece falar sozinho. Antes as dezenas de canais de futebol faturavam horrores com o pay per view. Hoje, me parece (informação totalmente subjetiva) que estão tendo que fazer dança da chuva.

A "torcida canarinho" descobriu que seus trilhardários heróis dos gramados mal conhecem isso aqui. Não caíram no calote que nós caímos, se mandaram cedo do Brasil e fazem carreira lá fora, em Euros, dólar, etc. Fingem que se emocionam, alguns simulam até choro quando perdem uma jogada, mas na boa, querem que o Brasil se exploda. Suas palavras de ordem são débito ou crédito.

Os tais "90 milhões em ação" viraram 200 milhões sem ação, correndo atrás de emprego, indignados com a bandalha nacional. Dificilmente entro num táxi com o futebol rolando no rádio e, semana passada, perguntei a um taxista e ele laconicamente respondeu que "não dou mole pra esses vagabundos". "Esses vagabundos", a meu ver, é toda a cadeia que envolve o futebol, da Fifa ao menor clube nos confins nacionais.

Só um legítimo babaca sofre, torce, chora por..."esses vagabundos". Será impressão minha? Ou o fato da seleção de futebol dos homens estar lascivamente associada a politicagem em geral afasta (e vai afastar ainda mais) o povão do futebol?

Dizem que "isso vai passar". Vai. Tudo passa. Nós passamos. Mas quando passará o nojo pelo futebol da seleção dos homens nos dias de hoje.