sexta-feira, 16 de junho de 2017

Imoralismo

O saudoso humorista Leon Eliachar escreveu que "tarado é um homem normal pego em flagrante". Quem lê meus posts no Facebook (cada vez mais magros, com grave tendência a sumir) sabe que já fui severamente policiado por um covil de "politicamente corretos", frequentadores aqui da Coluna, o que aliás não entendo. Acho preocupante perceber que essa laia tem frequentado a Coluna.

Desde que ingressei numa nova era de reinvenção existencial moderada, ou cavalo de pau, ou “volta que deu merda”, “destrepa tudo”, etc. não acho mais nada, absolutamente nada, preocupante.  O que dirá as afetações e pequenas canalhices de supostos leitores de redes sociais.

Tempos atrás, no inbox do Facebook, algumas defenestraram uma crônica que escrevi sobre minha puberdade/pré-adolescência no Campo de São Bento, em Niterói. Xingaram de poço de perversões, atentado a moral e aos bons costumes, papo de tarado fundamentalista e tudo mais.

Pensei se tratar de galhofa de amigos ou conhecidos, mas depois percebi era mesmo reação de leitores anônimos (e anacrônicos), cujo I.P. (Internet Protocol, o endereço na internet), que aparece para quem usa o Blogger, mas nunca conferi porque tenho mais o que fazer.

A reinvenção existencial moderada me faz assassinar algumas penumbras emocionais que precisam ser assassinadas e por isso reli a crônica umas três vezes. Constatei que o suposto mar de devassidão não passa de pueris vivências e desventuras de um garoto vivendo a liberdade possível em seus 12, 13 anos de idade.

Um adorador de mulheres surfando a liberdade possível e clandestina porque a sociedade moralista, nos moldes nelsonrodriguianos, conseguiu esconder os seus orgasmos diante de situações nefastas como assassinatos de crianças, linchamentos de mendigos, torpes tragédias sociais em geral.

É essa sociedade moralista que dá altíssimos índices de audiência aos programas de TV e rádio do estilo mundo cão, e também jornais e outros tipos de mídia especializados em sangue, suor e lágrimas. Bom lembrar que as casas de sadomasoquismo e swing tem os “moralistas” como clientes preferenciais.

Detonei qualquer possibilidade de mudar os rumos do que escrevo aqui na Coluna, um espaço assinado, com endereço conhecido, frequentado por pessoas de todas as idades e escrito, modéstia à parte, por um jornalista com mais de 40 anos de profissão que sabe, exatamente, endereço, telefone e e-mail da Dona Ética e seus parentes próximos.

Vou continuar exercendo a liberdade de escrever sobre temas mais ousados já que estamos assistindo ao verdadeiro escárnio contra a moral representado pela corja que assaltou o Estado brasileiro. Felizmente indo em cana, um por um. Isso sim é perversão, é escarrar na cara tudo o que existe de mais limpo, honesto, íntegro.

Não será a micro saga de um garoto conhecendo o sexo que deve ser linchada pelos politicamente corretos, em geral ladrões, safados, pervertidos e pedófilos. Agraço aos leitores que me incentivam, estimulam, levam o que escrevo aqui para o terreno do humor, da boa vida, para o jeito positivo de encarar a existência e não para as sombras dos "corretos" com aspas, que vivem no limbo sob o signo das taras mal resolvidas e da perversão social suprema.